A pergunta mais importante da sua vida e o filme A Bailarina

Tempo de leitura: 4 minutos

Por Eduardo M. R. Lopes

Todo pai de menina já sabe que um dos grandes momentos mágicos e especiais durante a infância das pequenas (e principalmente para as mães) é quando elas começam a ter as primeiras aulinhas de balé na escolinha ou fora dela.

Com a minha filha de 3 anos não foi diferente, pois também fiquei todo babão e emocionado tanto quando ela colocou aquela linda roupinha rosa pela primeira vez e fez aquele coque no cabelo, como também quando começou a nos mostrar os primeiros passinhos – um espetáculo! 😉

Até eu, que nunca fui muito fã de dança, fiquei fascinado e hipnotizado, pois era diferente de tudo que havia visto até então – e que é difícil de explicar com as palavras, mas que é muito fácil de sentir com o coração assim que a cena se materializa na sua frente.

Desta forma, com o coração já devidamente amaciado, e após um primeiro contato com o sensacional filme Cisne Negro, que vi no cinema com a minha esposa lá no ano 3 A.S. (Antes da Sophia), desta vez foi muito mais fácil e óbvio que, assim que estreou o filme A Bailarina, lá fomos nós 3 nos juntar a dezenas de mães/pais e filhas no cinema para nos encantar com mais um filme sobre o tema.

Divertido e belo, em linhas gerais o desenho mostra a aventura da menina órfã Félicie que, com a ajuda do seu amigo e também órfão Victor, vai até a Paris (retratado no final do século 19) em busca do seu sonho de se tornar uma bailarina.

Como todo pai vigilante, a todo instante olhava para a minha filha para ver se ela estava gostando do filme e nem me assustava quando, volta e meia, lá estava ela no meio do corredor tentando imitar os passos que via na tela ali mesmo nas escadas com as mãos apoiadas na cadeira.

Eu abria um sorriso largo e relaxava, perdendo-me por alguns instantes imaginando se daqui a mais alguns anos o balé ainda continuaria presente na sua vida ou, ainda, se ela iria querer seguir nessa carreira.

E, curiosamente esse pensamento, que aparentemente seria apenas mais uma dessas preocupações típicas de pai, não só me veio à cabeça uma vez como ficou por ali orbitando durante o filme inteiro justamente por conta de uma perguntinha aparentemente banal, mas extremamente poderosa, que era dita incansavelmente pela tutora da Félicie todos os dias e em todos os treinos:

Por que você dança?

Quando somos crianças e adolescentes, a pergunta que parece ser a mais importante da nossa vida é o tradicional “O que você quer ser quando crescer?”, que diga-se de passagem é cruel porque, dada a pouca experiência dos respondentes, deixa a sensação de que o que quer que seja respondido ficará marcado em ferro e fogo até o final dos tempos e nunca mais poderemos sair desse caminho.

Ledo engano.

Poderemos sim. Aliás, deveremos; até mesmo porque com o crescimento da expectativa de vida (de 43 anos em 1940 para 76 anos em 2016 e contando… veja aqui) é natural que tenhamos uma segunda, terceira ou até quarta carreira ao longo da nossa vida, fazendo com que aquele “ser único idealizado” (no sentido profissional) se transforme em vários de acordo com as fases da nossa vida (sem perder, é claro, a essência do nosso eu).

Não é demérito e nem vergonha. É a vida e é bonita, como já dizia aquela canção.

Se você já leu o livro “Por que fazemos o que fazemos?” do mestre Cortella, já entendeu bem a questão das escolhas e do propósito em nossa vida, e por isso não só a insistência como a própria pergunta em si feita pela tutora da Félicie deveria ser encarada como a mais importante de nossas vidas porque, independente do que já somos ou o que queremos ser, ela nos faz refletir se estamos realmente no caminho certo – e o certo, na verdade, é aquele que faz sentido para que cada um possa viver plenamente o seu propósito.

E se você se engasgar na hora de responder “por que você dança?” ou “por que você faz o que faz?”, então é hora de rever os seus conceitos e procurar respirar novos ares, pois o final dessa história já é conhecido e se dará em um dos três níveis abaixo:

– Nível 1: Não irá suportar permanecer nesse caminho até o fim e ficará frustrado com o aparente fracasso;

– Nível 2: Se permanecer, viverá angustiado e com a incômoda sensação de que está faltando algo em sua vida;

– Nível 3: Se chegar até o final, vai olhar para trás e perceber que nunca foi feliz nesse caminho.

O lado bom de tudo isso é que a escolha para qual lado seguir continuará sendo sempre sua.

Aproveite e vá em frente!

Em tempo: como complemento, clique aqui para assistir a uma excelente entrevista do Cortella falando sobre o livro que mencionei neste artigo.

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