Aprendendo a diferenciar problemas e desculpas com o mestre Stephen Hawking

Tempo de leitura: 6 minutos

Stephen-Hawking 2

Por Eduardo M. R. Lopes

Sabe aquele projeto que está empacado porque você tem trabalhado/estudado tanto que não conseguiu mais arrumar tempo para tocar? Ou aquele outro que ainda nem saiu do papel porque a rotina com filhos está consumindo toda a sua energia? Ou ainda aquela atividade física/dieta/hobby que você já perdeu as contas de quantas vezes começou, parou e recomeçou? E aí quando te perguntam o porquê de ter deixado de lado, a resposta sem muita convicção é praticamente a mesma de muitos outros na mesma situação: “são tantos problemas na minha vida que não consigo focar”. Alto lá! Será mesmo?

Problemas todos nós temos, e dos mais variados tipos, cores e sabores, sendo natural do ser humano, principalmente aquele tipo que gosta de vestir-se com a camisa de vítima do mundo cruel, de achar que os seus problemas são sempre maiores que os problemas dos outros, assim como que todo o sucesso obtido pelos outros em alguma coisa sempre se dá por conta de alguma benesse ou favor especial com que tenham sido agraciados, pois “se tivessem que enfrentar os problemas que eu enfrento…” e tome outro gole de amargura do tipo “me engana que eu gosto” para dentro!

Se você se enquadra neste time de pessoas ou apenas procura uma nova perspectiva sobre a vida, e de quebra quer conhecer um pouco mais sobre um dos maiores gênios da humanidade ainda vivos, sugiro assistir ao filme “A teoria de tudo”, que retrata a vida do físico e cosmólogo Stephen Hawking – sim, aquele mesmo que desde os 21 anos foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), que é uma doença neurodegenerativa progressiva e fatal que paralisa os músculos do corpo sem no entanto alterar as funções cerebrais. Lembram do desafio do balde de gelo que o Bill Gates e o Mark Zuckerberg popularizaram algum tempo atrás? Pois é, era para ajudar nas pesquisas sobre esta doença.

Atitude é (quase) tudo

Se a sua vida já é bastante difícil, imagina para quem está perdendo gradual e irreversivelmente quase todos os movimentos do corpo no auge da juventude, observando tudo com a consciência plena enquanto conclui o doutorado com a expectativa de viver “talvez até 2 anos”? E mesmo assim o sujeito conclui o doutorado, dá aulas, casa-se com a primeira namorada, têm 3 filhos, “escreve” um livro revolucionário (Uma breve história do tempo) que já vendeu mais de 25 milhões de cópias até hoje (além de outros depois deste), e continua por aí na ativa com 74 anos, superando uma barreira física gigantesca e brigando pela vida contra todas as probabilidades possíveis e imagináveis – sem falar, sem se mexer, comunicando-se com o mundo através do computador adaptado na sua cadeira de rodas especial.

Se você acha difícil fazer alguma coisa e conciliar a construção dos seus sonhos com a rotina extenuante da família e do trabalho, agora convido-o a fazer uma rápida reflexão imaginando-se escrevendo ou produzindo o que quer que seja nessas mesmas condições. Olhe para dentro de si mesmo e responda sinceramente comparando com a sua rotina atual: é mais fácil ou mais difícil? Se você pudesse trocar de corpo com ele por um tempo, você trocaria? E mais: você teria produzido tanto quanto ele nesse mesmo período?

O companheirismo e o amor te levam mais longe

O Flávio Augusto do Geração de Valor sempre diz que a vida de uma família só vai para frente quando os objetivos do marido e da esposa são conhecidos e acordados por ambos porque somente desta maneira eles conseguirão agir de fato como um time remando o barco na mesma direção.

Some a isto aquele outro ditado que diz que “por trás de todo grande homem existe uma grande mulher”, e então temos uma maior clareza sobre como ele conseguiu ir tão longe. Se não fosse o amor verdadeiro e o companheirismo no mais alto grau da sua primeira mulher, Jane, que abdicou de praticamente tudo para se casar com ele plenamente consciente da doença e do seu “fim iminente”, talvez ele não tivesse vivido ou produzido tanto, pois com o avanço da doença ela praticamente sozinha cuidou da casa, dos filhos, da estrutura da família e fez das tripas coração para que ele, mesmo “preso para sempre dentro do seu mundo”, seguisse mudando o mundo exterior e a forma como enxergarmos o universo.

Foram 25 anos de abnegação por ele e pela família até a separação, e antes que alguém pergunte se tudo isso valeu à pena, a resposta chega delicadamente quando ele reencontra com ela para serem recebidos pela Rainha da Inglaterra e, ao ver os 3 filhos brincando nos jardins do palácio, diz para ela: “olha o que NÓS fizemos”.

Ou seja, o fato dele ainda estar vivo  ou eles estarem separados não é importante, bem como o fato de ser reconhecido mundialmente ou de receber uma distinção da Rainha também não tem importância alguma quando o verdadeiro legado da nossa existência e o alicerce que deu a liga para tudo o que foi construído está bem ali diante de nossos olhos brincando como se não houvesse amanhã.

O próximo passo

Você até pode não ter nascido com a inteligência muito acima da média com a que ele nasceu, mas este diferencial seria absolutamente irrelevante se ele tivesse se entregado esperando a morte chegar com a sua tese de doutorado (embrião do primeiro livro) guardada na estante. Aliás, quantos numa situação parecida com esta teriam feito isso? Seria o caminho natural “esperado” e aceito pela sociedade de uma forma em geral. Mas o problema das pessoas acima da média como ele (e não estou me referindo à inteligência) é que elas possuem um propósito real e inadiável, e não descansam enquanto não atravessarem suas jornadas para construí-lo.

Contra todas as probabilidades, ele  não se entregou e decidiu que iria além e foi com o que tinha e do jeito que podia. Afinal, como ele bem disse no discurso enquanto recebia mais um prêmio em Nova York, “por pior que pareça a vida, sempre existe algo que você pode fazer e conseguir”.

E você? O quê vai fazer ou está fazendo? Seus problemas são mesmo Problemas ou não passam de simples desculpas? Então, mãos à obra!

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