2 receitas de sucesso da Nike e a coincidência com o Motorhead

Tempo de leitura: 7 minutos

Nike Lemmy Motorhead

Por Eduardo M. R. Lopes

Sabe esses livros que você, como quem não quer nada, pega na estante da livraria, dá uma lida na contracapa, vai para o prefácio e então, graças a um telefonema providencial da sua esposa, percebe que já se passaram quase duas horas, mas você ainda continua ali sentando no chão com cara de tonto como se o tempo tivesse parado?

Pois é, esse cara fui eu quando entrei na livraria decidido a comprar a biografia da fera Elon Musk (Tesla e Space X), mas como ao lado dele na estante estava a autobiografia “A marca da vitória” do criador da Nike, Phil Knight, pensei comigo mesmo: “já que vou levar o do Elon, deixa eu dar uma olhada neste do Phil só para ver qual é” – e aí não o soltei mais!

Ou melhor, soltei-o agora para escrever este artigo com a mesma empolgação que aquele jovem corredor amador recém-formado resolveu ir do Oregon (EUA) até o Japão com a sua “Ideia Maluca” na cabeça, onde conseguiu os seus primeiros pares de tênis para vender no porta-malas do seu carro e, então, fazer história.

– Espera aí, Eduardo, se o Phil era corredor e atleta, o quê que ele poderia ter em comum com o Lemmy, que além de sedentário, quando não estava cantando e tocando baixo, bebia e fumava sem parar?

Aí é que está a graça da vida e dos negócios.

Para quem gosta de esportes, é praticamente impossível não cruzar por aí com aquela logomarca inconfundível ou não ter algum item da Nike dentro do seu armário, afinal ela é a maior fabricante de artigos esportivos do planeta.

Para quem gosta de rock, é praticamente impossível não reconhecer aquela voz rouca e a sonzeira inconfundível do Motorhead, que é uma figurinha carimbada e titular absoluto em qualquer lista das 10 bandas mais influentes de todos os tempos – seja na minha lista ou na lista feita por qualquer grande nome do rock que você consiga se lembrar.

Se a Nike começou a surgir a partir de um trabalho de conclusão do curso de graduação feito pelo Phil, o que sem dúvida foi um ato nobre, por outro lado o Motorhead surgiu após a demissão do falecido Lemmy Kilmister da sua antiga banda por abuso de drogas, o que diga-se de passagem não foi nada nobre.

Entretanto, por incrível que pareça ambos possuíam duas características em comum que os norteou para transformarem tanto a empresa como a banda em verdadeiros ícones mundiais em seus respectivos segmentos:

  • Paixão verdadeira como pilar principal do negócio

Quando Phil descobriu a corrida, foi amor à primeira vista; mas apenas depois de formado é que caiu a ficha de que o esporte e a performance eram tanto o propósito como o combustível altamente inflamável para levar adiante a sua “Ideia Maluca”, que era vender tênis de corrida.

No fundo, no fundo, ele até tinha opções e andou trabalhando com outras coisas, mas a sua paixão falou mais alto, ele acreditou nela e a fez acontecer.

Quando o Lemmy descobriu a música, também foi amor à primeira vista – principalmente quando se ligou que um violão na mão atraía dezenas de garotas (como um amigo da escola que mal sabia tocar), e assim teria tudo o que precisava para ser feliz. E a demissão de sua antiga banda (Hawkwind), que até fazia relativo sucesso na década de 70, foi o estopim para criar um tipo de som mais cru, agressivo e único, diferente de tudo o que era feito até então.

No fundo, no fundo, ele praticamente não tinha outras opções, sua vida era música e então agarrou sua paixão com unhas e dentes para continuar vivendo dela até o fim (literalmente).

  • O que quer que aconteça, não pare.

Phil era um corredor e, no prefácio intitulado Alvorada, ele fez um relato magistral de apenas 5 páginas sobre como numa dessas corridas ele descobriu o seu propósito de vida e também achou o conselho que ele deu a si mesmo e que seguiu a vida inteira.

(se você não quiser comprar o livro ou só estiver em dúvida, sugiro que leia apenas o prefácio quando estiver em alguma livraria)

Aliás, mesmo após passados mais de cinquenta anos, ele continua certo de que este ainda é o melhor e o único conselho que alguém possa dar, e por isso faço a transcrição literal abaixo:

“Deixe que todos chamem a sua ideia de maluca… apenas continue. Não pare. Nem pense em parar enquanto não chegar lá e não pense muito sobre onde fica esse “lá”. O que quer que aconteça, não pare”.

E ele não parou. Contra tudo e contra todos, num mundo pós-guerra, ele cruzou o planeta para encontrar os “inimigos” japoneses lá na Terra do Sol Nascente para comprar os seus primeiros pares de tênis e, quando voltou, não parou mais até conseguir montar o que viria a se transformar num verdadeiro império da indústria esportiva.

Para ele, se o empreendedor tem paixão pelo que faz e acredita na sua capacidade e nas suas ideias (malucas ou não), não deverá parar por nada, tentando sempre e de tudo até que os seus objetivos sejam alcançados.

E o Lemmy não só acreditava nisso, como também tinha mesma atitude e só acabou parando obrigado por conta de uma “força maior”, já que veio a falecer no meio de uma turnê mundial, mas o icônico Motorhead já estava consolidado como uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.

Ele costumava dizer que o que mantinha a banda viva era o instinto de sobrevivência, pois enxergava a banda como um animal em permanente caçada – e que por isso mesmo deveria estar sempre em movimento e nunca acomodado, caso contrário morreriam de fome.

Dito e feito: se era para viver da música, então eles deveriam gravar discos e fazer turnês incondicionalmente, alcançando desta forma uma regularidade impressionante de 22 discos de estúdio lançados em 40 anos de banda – sendo que o último disco, inclusive, havia sido lançado meses antes do Lemmy falecer em dezembro de 2015, obrigando assim a banda a encerrar oficialmente as atividades, mas a marca continua tão conhecida, lucrativa e forte quanto antes.

A moral de toda esta história é que quanto mais vamos conhecendo e entendendo as cabeças que estão por trás de marcas que se transformaram em verdadeiros ícones mundiais, independente do segmento de atuação e da personalidade de cada líder, no fundo no fundo estas duas características parecem fazer parte da base fundamental de todos eles para conseguirem realizarem esses grandes feitos.

-Ah, Eduardo, mas se eu tiver paixão e botar a mão na massa de verdade eu também criarei algo grandioso como eles?

A resposta é simples: se não tiver essas duas características como base, certamente não; porém, se tiver, há uma chance (baixa, mas há) de que isso sim aconteça, pois ainda há muitas outras variáveis como talento, determinação e criação/aproveitamento de oportunidades (por exemplo), que influenciarão diretamente para que o seu negócio chegue a atingir um patamar realmente cinematográfico.

É difícil, mas não é impossível – e será sempre melhor ter uma chance do que não ter chance alguma, né?

Em tempo I: Clique aqui para conhecer mais sobre o livro do Phil Knight, clique aqui e clique aqui para ver duas entrevistas (CBS e Fox) em inglês dele falando sobre o livro.

Em tempo II: Clique aqui para conhecer o livro com a biografia da banda Motorhead e clique aqui para assistir ao documentário “Lemmy”.

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